Educação PRESSIONADO

MEC decide por adiar o Enem

Decisão ocorreu após críticas quanto à desigualdade na preparação dos alunos durante a pandemia.

20/05/2020 18h06 Atualizada há 2 meses
Por: Renan Silveira

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciaram, nesta tarde, o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por um período de 30 a 60 dias. A prova seria realizada em novembro. Mas segundo as novas previsões, deve ocorrer em dezembro, ou janeiro de 2021.

De acordo com o texto oficial divulgado, o Inep deverá realizar uma enquete aos mais de 5 milhões de inscritos no Enem, para que estes possam opinar nas datas de realização do exame. Essa consulta deverá acontecer em junho, na Página do Participante.

A proposta de adiamento havia sido aprovada no Senado, e a expectativa é que fosse votada com urgência na Câmara dos Deputados. O presidente da casa, Rodrigo Maia, chegou a convocar Bolsonaro a se comprometer no adiamento da prova para que não fosse necessário aplicar a votação. O Governo, até então, vinha se mostrando contrário ao adiamento.

 

DESIGUALDADE

O adiamento é uma demanda social que atenta às desigualdades agravadas pela suspensão das aulas. Diversos protestos já pediam adiamento da prova, principalmente nas redes sociais. Reitores de Institutos e Universidades públicas do estado chegaram a emitir um documento explicando as razões pelas quais eram favoráveis a postergar a aplicação do exame.

— Entendemos que nenhum estudante deva ter seu ingresso na educação pública prejudicado pela pandemia — argumentava o manifesto emitido pelos gestores das instituições.

Com a suspensão das aulas, a internet despontaria como principal método de estudo entre os alunos. Acontece que, no Brasil, muitos estudantes não tem acesso sequer a computador em suas casas.

A desigualdade já recorrente no dia a dia entre os estudantes brasileiros, seria agravada com a impossibilidade daqueles menos favorecidos recorrerem a materiais didáticos e auxílio de seus professores nas aulas convencionais.

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Um dos últimos estudos sobre uso de internet, realizado pela Cetic Brasil, indicava que, até 2018, 30% das pessoas não tinham acesso à internet. O que corresponde a mais de 60 milhões de brasileiros.

Além do mais, o aumento do uso de internet no Brasil está ligado principalmente à popularização dos smartphones como meio de navegação. Em 2018, por exemplo, o celular já era o meio principal pelo qual o brasileiro acessava à internet, sendo responsável por 98,1% dos acessos, segundo o IBGE.

Mas o aparelho nem sempre é a melhor forma de acessar conteúdos para estudo. Seja pela baixa velocidade da internet móvel, que atrapalha o acompanhamento de vídeo-aulas, como também a leitura dificultada e outras limitações.

Por outro lado, o último estudo que abordava a taxa domicílios que possuíam planos de internet fixa em casa, indicavam uma baixa presença nas regiões da Campanha e Fronteira Oeste.

Até 2016, apenas 16% das casas de São Gabriel tinham conexão fixa. Os maiores percentuais da região estavam em Uruguaiana (45%) e Bagé (42.7%). Seguidos de Alegrete (37.4%), Santana do Livramento (35.3%), Dom Pedrito (34.8%), e São Borja (26.8%).

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