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Economia e Inovação VITRINE

Site destaca vinhos da Campanha em catálogo nacional

Integrantes afirmam que há grande interesse de enófilos pelas produções da Campanha, sobretudo aqueles

23/05/2020 00h16 Atualizada há 3 semanas
Por: Renan Silveira

Somente em 2017, a produção de vinhos brasileiros cresceu 169% em relação ao ano anterior - os dados são da Organização Internacional do Vinho (OIV). Esses números colocaram o Brasil em 14ª na lista de maiores produtores do mundo.

Embora o Brasil ainda não tenha a mesma maturidade de tradicionais produtores vizinhos, como a Argentina e o Chile, por exemplo, os números já demonstram o significativo aumento na quantidade produzida. 

Na qualidade, há uma vasta variedade de rótulos e diversas características que se espalham por um território de dimensões continentais. É nesse contexto que nasce uma iniciativa pela valorização da produção nacional.

O projeto "Brasil de Vinhos" visa a divulgação e a valorização dos vinhos brasileiros. Segundo a própria descrição do projeto, o intuito é: "ajudar o vinho nacional a ganhar o país e – por que não? – o mundo".

De acordo com um dos idealizadores, o empresário e analista de sistemas, Roger Perotto, valorizar o vinho brasileiro também passa por uma questão socioeconômica.

— Além do Brasil ter a produção de excelentes vinhos, mais do que nunca com a pandemia se torna fundamental a valorização do produto nacional — explica.

O site não disponibiliza vinhos e nem vende catálogos, mas oferece espaço para que produtores e marcas contem sua história, e divulguem seus rótulos e ideias.

Um dos argumentos da proposta, é que o brasileiro consome muitos rótulos que vêm de fora: "vinhos ótimos, tradicionais, clássicos – e outros nem tanto". A ideia, portanto, é facilitar o encontro do consumidor com aquele vinho feito no Brasil. No site, estão disponíveis informações sobre dezenas de vinícolas, entre elas, algumas da região, como a Batalha Vinhas & Vinhos (Candiota), Campos de Cima (Itaqui), Dunamis Vinhos e Vinhedos (Dom Pedrito), Guatambu (Dom Pedrito) e Estância Paraizo (Bagé).

A pretensão é que a lista aumente ainda mais, pois o projeto é de mapear o maior número possível de vinícolas brasileiras.

 

CAMPANHA GAÚCHA

Vinícola em Santana do Livramento (Foto: Julio Soares/ Reprodução)

O Rio Grande do Sul é responsável por 90% do vinho feito no Brasil. A maioria dele na Serra Gaúcha. A região da Campanha, por sua vez, vem conquistando seu espaço ano após ano.

Um dos pontos que está fazendo a região conquistar amplo reconhecimento, é o fato de possuir clima e solo com características semelhantes a famosas regiões vitivinícolas, como Argentina, Chile e a Califórnia (EUA).

Embora a intensificação da produção regional tenha ocorrido e se popularizado muito recentemente, a Campanha foi descoberta enquanto região propícia para a prática já na década de 70, quando a Universidade Davis da Califórnia enxergou potencial da área para o cultivo de uvas e vinhos.

Noticiamos há pouco quando a região conquistou o parecer positivo do INPI para a utilização do denominador de origem, isto é, para que o termo "Campanha Gaúcha" pudesse ser adotado pelos produtores locais. Um exemplo prático da aplicação, é o aval para utilização do termo nos rótulos.

De acordo com Lucia Porto, jornalista, publicitária, empresária e integrante do Brasil de Vinhos, a conquista da denominação é de grande ajuda, e tem observado um crescimento gradual da procura e da visibilidade pelos vinhos do pampa gaúcho. Contudo, devido a consistência de produtos já existentes há mais tempo, há um longo caminho para realmente popularizar, isto é, diante do grande público.

— Por ser uma região não tão tradicional, leva um pouco mais de tempo para serem descobertos. Ao mesmo tempo, os enófilos que buscam vinhos diferenciados já descobriram as características e qualidades dos rótulos produzidos na Campanha — acrescenta.

A região detentora da identificação geográfica "Campanha Gaúcha" está situada em uma área de 44.365 km² abrangendo os seguintes municípios e distritos: Aceguá, Barra do Quaraí, Candiota, Hulha Negra, Itaqui, Quaraí, Rosário do Sul, Santana do Livramento, Uruguaiana, Alegrete, Bagé, Piraí, José Otávio, Dom Pedrito, Ibaré, Maçambará, Bororé, Encruzilhada, Torquato Severo e Joca Tavares.

Ainda por aqui, está presente o curso de enologia da Unipampa, o primeiro curso voltado à produção vitivinicola do Brasil na modalidade bacharelado. Esta é uma importante conquista que impulsiona e acelera a prática em toda a região.

No caso dos vinhedos, se espalham pelos imensos campos do pampa gaúcho, e se diferenciam das paisagens da serra gaúcha, que não detém a mesma vastidão. Veja onde estão alguns deles:

Outro idealizador do Brasil de Vinhos, o enólogo e mestre em agronegócios, Luiz Gustavo Lovato, morador de Campinas, destaca a reconhecimento dos vinhos da região dentre aqueles que detém experiência na enocultura.

— Posso dizer que a percepção entre o círculo de apreciadores da bebida é de que a Região da Campanha produz vinhos de qualidade, sobretudo tintos. Se "aceitar" o produto estiver ligado com avaliar positivamente o vinho, a Campanha Gaúcha está muito bem cotada — acrescentou.

Conhecida vinicola Guatambu, em Dom Pedrito-RS (Foto: Julio Soares/ Reprodução)

No entanto, um dos motivos pelos quais os vinhos brasileiros ainda possuem desvantagens em relação aos concorrentes dos países vizinhos, segundo a empresária, publicitária e sommelier, Dulce Grippa, é a legislação.

— O Brasil é um dos poucos países em que o vinho não é considerado alimento, por isso tem uma sobrecarga maior de impostos do que os concorrentes importados — lamenta.

Ela ainda explica que o projeto enxergou no cenário atual uma oportunidade para o vinho nacional ganhar espaço, uma vez que a a indústria cervejeira saiu da mídia por conta de novas demandas.

Aqueles produtores que desejarem a exibição no site, devem fazê-lo por meio deste formulário. Além do mais, ao notar a ausência de alguma vinícola, o leitor pode indicá-la através do email [email protected], para que a equipe entre em contato.

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