Sociedade SUPERAÇÃO

Entregador chega a pedalar 60km por dia em Dom Pedrito

O técnico em administração Fernando Alves, de 49 anos, faz entregas e realiza tarefas utilizando somente a sua bicicleta.

25/05/2020 21h42 Atualizada há 1 mês
Por: Renan Silveira
O profissional é o único a realizar o serviço em Dom Pedrito (Foto: Arquivo Pessoa)
O profissional é o único a realizar o serviço em Dom Pedrito (Foto: Arquivo Pessoa)

Em 2017, Dom Pedrito apresentava um total de 6.230 moradores empregados. Em relação aos quase 40 mil habitantes da cidade, esse número representava uma taxa de apenas 15,6% de ocupação. Os dados são do IBGE.

Imerso neste contexto, ainda em 2017, o pedritense Fernando Alves retornava para a Capital da Paz após ter morado fora por 25 anos. Mesmo tendo formação técnica em administração, precisou lidar com a escassez no mercado de trabalho local. Ao perceber que seus recursos estavam se esgotando, decidiu que a saída seria o trabalho autônomo.

— Tive uma inspiração de começar meu próprio negócio. Mas eu pensei: que negócio? Se eu já não tenho nenhum recurso? Então me chamou a atenção uma bicicleta de segunda mão que eu tinha adquirido. Eu logo disse para a minha esposa: vai ser com ela que eu vou ganhar dinheiro — conta.

Foi aí então, que há três anos, Alves fundou a Tele Bike e agora é office boy profissional em Dom Pedrito. Faz entregas, tarefas, paga boletos, faz compras... tudo utilizando a bicicleta. E apesar da ideia ter nascido das dificuldades, se mantém animado pelo fato de enxergar oportunidades onde antes não havia. Define-se frequentemente como empreendedor. Não é à toa.

Hoje a Tele Bike carrega o patrocínio do Sicredi (Foto: Arquivo Pessoal)

Certa vez, solicitou parceria - um patrocínio - para o Sicredi Fronteira Sul, já que a instituição era cliente e frequentemente solicitava seus serviços.

E deu certo.

— Eles apoiam muito o empreendedorismo. Como eu ando por toda a cidade, e chego a pedalar 60km em um único dia, acredito que essa uma é boa visibilidade. Busquei esse apoio e consegui vender a ideia de divulgá-los na minha bike — explicou.

O contexto de pandemia, no entanto, não atingiu o seu serviço em cheio e possibilitou o seu rápido retorno ao trabalho. Sorte que muitos autônomos brasileiros não tiveram em cidades que apresentaram situações sanitárias piores do que em Dom Pedrito.

— Eu fiquei em isolamento social uns dias, mas logo a Prefeitura autorizou, e hoje trabalho seguindo todos os protocolos de segurança. Posso dizer que, com a pandemia, muitos clientes novos surgiram.

Atualmente, mais do que nunca, se faz necessário um olhar crítico à falta de oportunidades e a vulnerabilidade de muitos profissionais. Mais ainda quando o trabalho autônomo se apresenta assim: árduo, e como única opção.

O Fernando Alves, por sua vez, nos conta sua trajetória sempre de um ponto de vista motivado e positivo. Orgulha-se de ter sido bem maior do que os seus problemas.

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