História e Cultura HISTÓRIA

Uruguaiana comemora 174 anos de emancipação política

Município com maior população na Fronteira Oeste Gaúcha foi o único a ser fundado pelos Farrapos. Conheça a história de sua emancipação.

29/05/2020 15h30 Atualizada há 1 mês
Por: Augustho Soares
(Foto: Reprodução / Flickr / Fotos Antigas do RS)
(Foto: Reprodução / Flickr / Fotos Antigas do RS)

Em meio a uma pandemia mundial, Uruguaiana completa 174 anos de emancipação política nesta sexta-feira, 29 de maio.

O município com maior população na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul é uma das poucas cidades que comemora seu aniversário duas vezes ao ano. Em 24 de fevereiro de 2020, por exemplo, a cidade, que tem o maior porto seco da América Latina, celebrou 177 anos de fundação.

Mas para que comemorar duas vezes o aniversário de um município? Quem explica isso é o professor Dagoberto Alvim Clos, em pesquisa divulgada no site da Prefeitura Municipal.

 

Fundação e Emancipação

Apesar de se ter uma pré-história envolvendo os índios charrua e os padres jesuítas, a origem de Uruguaiana, como um município, decorre da época da Revolução Farroupilha (1835 – 1845), sendo a única cidade fundada pelos farrapos.

Em agosto de 1838, conscientes da posição estratégica desta área, os farrapos assentaram uma base – coletoria e porto – no povoado de Santana do Uruguai, onde hoje fica Santana Velha, localidade a cerca de 30 quilômetros de Uruguaiana.

Do ponto de vista do Governo Farrapo, em 1840, dois fatores preocupavam as autoridades no então 2° Distrito de Alegrete:

  • As constantes inundações na povoação de Santana do Uruguai, que obrigavam a população a abandonar as suas moradias;

  • A falta de segurança nas estâncias.

Um grande número de salteadores oriundos de grupos revolucionários, aventureiros e desertores vandalizavam as estâncias, saqueando, estuprando, furtando e roubando. Cansados dessa situação, a população local pede apoio ao Governo Farrapo, que se sensibiliza com o problema e determina a demarcação de um sítio à margem esquerda do arroio Itapitocai.

Porém, outra área deveria ser escolhida como sede definitiva do povoado. Então, o ministro da Fazenda do Governo Farrapo, Domingos José de Almeida, indicou a margem do rio Uruguai como o lugar mais adequado e determinou a escolha da área ao Presidente da Câmara de Vereadores de Alegrete, Joaquim dos Santos Prado Lima.

O local escolhido para a nova instalação do porto, da coletoria e da população, se situava na estância de Joaquim Manoel do Couto, no denominado Capão do Tigre, divisa com a localidade de Restauración (hoje Paso de Los Libres), cujo território constituía o 2° Distrito de Alegrete ou Distrito de Santana.

Em 24 de fevereiro de 1843, Uruguaiana foi fundada sob a denominação de "Capela do Uruguai", conforme uma resolução sancionada pela Assembleia Constituinte e Legislativa de Alegrete. Por essa iniciativa, o ministro Domingos José de Almeida é considerado o fundador oficial de Uruguaiana.

– Além de Domingos de Almeida, também merecem destaque Bento Gonçalves da Silva, Davi Canabarro e Joaquim dos Santos Prado Lima, por todos os esforços que dispenderam para a criação do povoado – salienta o historiador.

No entanto, apenas no dia 29 de maio de 1846, a então Capela do Uruguai obteve sua emancipação política ao ser elevada à categoria de Vila e desmembrada do Alegrete.

Com a emancipação, o local recebeu a denominação de Santana do Uruguai, mas não demorou muito para que Domingos José de Almeida fizesse uma nova alteração, reunindo os nomes Uruguai (rio) e “Ana” (Nossa Senhora de Santana - padroeira da Vila).

Em 6 de abril de 1874, Uruguaiana foi elevada à categoria de cidade. Já em 29 de março de 1875, se tornou uma Comarca independente.

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