Sociedade TAMO JUNTO NESSA

Voluntárias de Dom Pedrito fabricaram mais de 10 mil máscaras

As confecções foram destinadas à Secretaria de Saúde do Município, mas também às pessoas de baixos recursos

08/06/2020 05h00 Atualizada há 3 semanas
Por: Marcelo Vecher
Muitas das voluntárias são costureiras profissionais que doaram o seu tempo para esta iniciativa (Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal
Muitas das voluntárias são costureiras profissionais que doaram o seu tempo para esta iniciativa (Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal

Os primeiros dias de pandemia no Brasil, lá pela metade de março, foram de medo e correria. A quarentena era iminente e quem tinha condições estocou alimentos e itens essenciais. A demanda de álcool deixou as farmácias sem nada e a situação se arrastou por dias.

Os dias se passaram e aconteceu o mesmo com os equipamentos de proteção individual, como as máscaras. Os estoques das instituições de saúde foram diminuindo rapidamente e não havia disponibilidade no mercado para repô-los com a mesma velocidade.

Foi então que, seguindo outras ações similares pelo Brasil, uma equipe de voluntárias de Dom Pedrito, impulsionada por Julieta Freire Farinha, se dispôs a fabricar gratuitamente máscaras para fornecer a postos de saúde, aos médicos, enfermeiros e técnicos.

Julieta é professora aposentada e dirige o Departamento de Cultura da Prefeitura de Dom Pedrito. Fazer máscaras, claramente, não era parte do seu trabalho nem foi uma ação do Governo Municipal. Essa atitude partiu da solidariedade de quem é capaz de se colocar no lugar do outro.

Segundo ela, a ideia surgiu naturalmente para tentar ajudar a suprir uma necessidade da Secretaria de Saúde. “Eu disse pra Lillian (Loreto, secretária municipal), ‘quem sabe eu não faço umas máscaras de TNT pra te ajudar’ e foi assim que começou, sem pretensão nenhuma”, explica.

  Nem tinha a intenção de ser um projeto. Foi daquelas coisas que a gente diz ‘eu vou fazer pra ajudar’ e quando vi tomou uma proporção que abraçou a cidade. Começaram a surgir voluntárias e se tornou realmente um projeto
conta Julieta

Ela explica, ainda, que muitas voluntárias são costureiras mesmo, vivem disso, “e abraçaram a causa”. Os materiais utilizados para as confecções também foram doados pela comunidade pedritense. Segundo ela, mais de 10 mil máscaras foram feitas dentro do projeto.

O que começou direcionado para o setor da saúde acabou se expandindo e também foi possível doar máscaras. “Bah, foi muito legal. Até agora a gente ainda tá conseguindo doar pra aquelas pessoas que precisam”, comenta.

Claramente emocionada ao encerrar a entrevista, feita à distância, Julieta disse que “o amor, sim, deveria ser um vírus e contaminar o mundo". O que não começou sendo um projeto, hoje tem até nome e ele faz juz ao impacto social que teve: “Mãos de Anjo”.

 

Leila Padilha (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Acessibilidade

A máscara, apesar de essencial, se torna um obstáculo para aquelas pessoas com deficiência auditiva que dependem da leitura labial para se comunicar. Nesse contexto, a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Dom Pedrito identificou a necessidade de ter uma máscara transparente.

Segundo Julieta, o desafio foi lançado a várias das costureiras. Os modelos iam sendo avaliados com os profissionais da saúde e melhorados, até que a costureira Leila Padilha chegou a uma opção satisfatória. “Foi muito aceita a máscara dela. Ela usou garrafa PET e tecido”, conta Julieta.

 

Tutorial

O trabalho de Julieta e das outras voluntárias foi tão importante que a própria Prefeitura de Dom Pedrito reconheceu como necessária a fabricação caseira de máscaras. Em sua página oficial no Facebook, publicou um tutorial, gravado com a própria Julieta, ensinando outras pessoas a fazerem suas máscaras.

 

Quem participou/participa do projeto?

Julieta faz questão de deixar registrado o nome das “mãos de anjo” que fizeram deste projeto um sucesso. Ainda segundo ela, há pessoas que não estão listadas porque ajudavam de outras formas, mas que mesmo assim foram de extrema importância. Segue a lista, então, de algumas das “mãos”: 

 

*Você conhece histórias que merecem ser contadas? Então entra em contato com a gente pelo Facebook, Instagram, Twitter ou pelo e-mail. Explica do que se trata e deixa o contato de quem pode nos contar ela um pouco melhor. 

**Esta reportagem faz parte de uma série. Quer entender melhor? Leia o nosso editorial sobre o Tamo junto nessa.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.