Fronteira RESILIÊNCIA

Dólar alto, crise e pandemia desafiam freeshops brasileiros

Apesar do contexto totalmente desfavorável, resiliência é a palavra de ordem em empreendimento recém-inaugurado de Uruguaiana.

25/06/2020 23h53 Atualizada há 1 semana
Por: Renan Silveira

Em 2018, uma normativa brasileira determinou regras e regularizou definitivamente a abertura de freeshops no país. Esse tipo de loja passou, então, a estar apta para instalação nas chamadas cidades-gêmeas, que são, conforme definição do Ministério da Integração Nacional, municípios fronteiriços com forte integração econômica e cultural com a cidade do país vizinho.

A liberação dos freeshops brasileiros buscou solucionar uma demanda histórica da comunidade fronteiriça: a falta de concorrência com os tradicionais comércios já existentes há décadas do lado internacional. As normas ainda tiveram por argumento o impulsionamento do turismo, emprego e renda nos municípios de fronteira.

O estado do Rio Grande abriga 11 das 32 cidades cidades-gêmeas habilitadas a receber este tipo de empreendimento no Brasil. São elas: Aceguá, Barra do Quaraí, Chuí, Itaqui, Jaguarão, Porto Mauá, Porto Xavier, Quaraí, Santana do Livramento, São Borja e Uruguaiana.

Normalmente, o consumidor desses estabelecimentos tem acesso a produtos por preço menor do que pagaria pela mesma mercadoria em condições fiscais habituais. Isso acontece porque os freeshops são isentos do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do recolhimento de PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação. Este é o principal fator favorável.

Uma outra situação influencia frequentemente a condição dos preços nos freeshops: a variação do dólar. Em Rivera, tradicional centro de compras na metade sul, por exemplo, é normal que se testemunhe o esvaziamento da cidade nos últimos anos, principalmente se comparado à períodos de dólar baixo. Acontece que o preço dos produtos é convertido com base na moeda norte-americana.

Se em 2012 o dólar variou entre R$1,718 e R$2,080, em 2015 o valor chegou a bater a casa dos R$3,876. O preço que já era alto, subiu ainda mais. No dia 14 de maio deste ano, o valor quase atingiu a casa dos R$6, chegando a R$5,9366. Estes números influenciam diretamente, e invariavelmente, o preço de venda dos produtos em lojas francas. Atualmente, o dólar está em R$5,05.

É correto afirmar que os freeshops brasileiros são empreendimentos extremamente jovens, e já nasceram imersos em um contexto de dólar alto. Outro fator que vem dificultando a realidade destes empreendimentos é a pandemia. Muitos deles precisaram fechar as portas por dias, e hoje, operam em meio às restrições. Por fim, não há como ignorar também a crise econômica provocada pelo covid-19, e que impacta o poder de compra dos consumidores.

 

RESILIÊNCIA É PALAVRA-CHAVE

Empreendimento está localizado no centro de Uruguaiana (Foto: Divulgação)

Imerso neste contexto, o New York Freeshop, inaugurado em novembro de 2019 na cidade de Uruguaiana, vem trabalhando dentro das condições apresentadas, e adaptando os seus canais de venda. Conversamos com a auxiliar administrativa, Catherine Rispoli, que afirmou estar surpresa com a boa procura dos clientes.

— As saídas são os anúncios de produtos promocionais, e as nossas redes sociais, que estão sendo muito procuradas — contou.

Dentre os diversos requisitos para a abertura de uma loja franca em solo terrestre brasileiro, está a necessidade da empresa ser nacional ou nacionalizada. No caso da New York Freeshop, trata-se de um empreendimento nativo da cidade de Uruguaiana.

Sobre a recepção após a inauguração, Catherine expôs o contentamento com a demanda que a região apresentou até aqui.

— Desde a abertura estamos sendo muito procurados, e fomos muito bem recepcionados pela cidade de Uruguaiana, nossos vizinhos de fronteira, e os demais turistas da cidade — completou.

Apesar de todos os cenários negativos que colocam a prova o planejamento de empreendimentos novos, o New York Freeshop afirma estar em expansão, e anuncia a abertura de mais duas lojas até o final deste ano. Para Catherine, os potenciais da região são determinantes.

— Uruguaiana tem o maior porto seco do Brasil, temos a divisa entre Uruguai e Argentina que potencializa ainda mais nossas vendas. Temos variedade de produtos na nossa loja, proporcionando aos nossos clientes vizinhos produtos diferenciados — destacou.

Brasileiros e estrangeiros podem fazer compras nos freeshops brasileiros com limite mensal de 300 dólares por pessoa. Vale destacar que a cota não tem qualquer relação com aquela existentes para compras no exterior.

Atualmente, o freeshop informou estar trabalhando com número de funcionários reduzidos, e com ações para evitar aglomerações em suas lojas. A administração destacou o aumento saída de dois produtos durante o isolamento social: vinhos e chocolates.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.