Coronavírus TAMO JUNTO NESSA

O impacto da pandemia nos atendimentos do Samu em Bagé

Com a descoberta dos primeiros casos de coronavírus na região, trabalhadores do serviço precisaram se adaptar à nova realidade.

22/06/2020 20h15 Atualizada há 2 semanas
Por: Augustho Soares
Equipe da unidade se uniu para pedir que população aderisse ao isolamento social. (Foto: Divulgação)
Equipe da unidade se uniu para pedir que população aderisse ao isolamento social. (Foto: Divulgação)

Na linha de frente no combate ao novo coronavírus, os profissionais da saúde são considerados essenciais. Uma prova do reconhecimento aos trabalhadores da área é a quantidade de homenagens que os mesmos têm recebido desde o início da pandemia.

No entanto, também se observa que há um certo temor na população em utilizar os serviços de saúde neste período. Apesar da recomendação dos órgãos do setor ser evitar consultas desnecessárias, muitas pessoas que precisam de atendimento se negam a pedi-lo pois temem ser infectadas no processo.

Na Região da Campanha, Bagé foi a primeira cidade a ter um surto de Covid-19, sendo considerada na época como o maior foco do vírus no interior do estado. Nesse período, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) teve uma queda brusca no número de chamadas recebidas, mas isso não significa que houve menos trabalho para os seus funcionários.

De acordo com a coordenadora do serviço, Anelise Reis, com a chegada do vírus na Rainha da Fronteira, também houveram alterações na rotina de trabalho dos servidores.

– Mudamos nossa rotina quanto à precauções, limpeza terminal de ambulâncias sempre após remoção de casos suspeitos. Enfatizamos sempre uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), máscara, luva, protetor facial e macacão, assim como uso de máscara cirúrgica em todos pacientes sintomáticos – enfatiza a coordenadora.

 

MUDANÇAS NA ROTINA

Antônio Vinícios Farias, de 38 anos, atua como condutor socorrista do Samu desde agosto de 2016. Ele explica que sua rotina sempre foi inconstante.

– Meu horário de trabalho e das 7 às 19 horas, e no dia inverso auxilio no serviço administrativo. Mas como sempre falamos, só Deus sabe o horário é para entrar ou pra sair. Muitas vezes na hora da troca de plantão, recebemos uma ocorrência e levamos uma hora ou mais – destaca.

No entanto, com a confirmação dos primeiros casos de Covid-19 em Bagé, as incertezas ficaram ainda maiores.

– Assim como as pessoas estavam assustadas, nós também estávamos pois tudo era uma novidade e cheio de incertezas. Só tínhamos que seguir os protocolos e orientações dos órgão de saúde – declara.

O servidor destaca também que na atual conjuntura, para atendimento a ocorrências, é preciso realizar um processo de paramentação, ou seja, de vestimenta dos equipamentos, antes de ir ao local, além de cuidados extras, mas que já se tornaram básicos.

– Utilizamos mais de um par de luvas, pois a medida que o atendimento vai evoluindo vamos retirando a que manteve contato com o paciente. Ao chegar, efetuamos o atendimento e logo após retiramos o primeiro par pra não contaminar a ambulância no deslocamento de retorno – exemplifica o condutor, o qual também salienta que já virou rotina ao início de cada jornada realizar a higienização da ambulância.

Quando questionado sobre os principais obstáculos para os servidores da Saúde no contexto atual. Farias destaca:

– Nossa maior dificuldade, a meu ver, é a população ser cética em relação a situação atual. Grande parcela da população acha que a vida continua, de forma normal, mas quando se derem conta do que está acontecendo, podemos já ter perdido o controle da situação.

 

TROTES

Como foi dito anteriormente, logo após a confirmação dos primeiros casos de coronavírus em Bagé, em 19 de março, houve diminuição no número de ligações ao Samu, porém segundo a coordenadora, os trotes para o serviço continuaram a ocorrer.

Para se ter uma noção da quantidade de ligações com informações falsas a serem recebidas na unidade, no mês passado (maio), 837 chamadas foram classificadas como trotes. Isso representa cerca de 17% das 4,9 mil ligações registradas.

 

ESTRUTURA

Sede da unidade funciona junto à Santa Casa. (Foto: Giovana Pereira)

O Samu em Bagé conta com três ambulâncias, sendo uma de suporte avançado, equipada com respirador para pacientes que necessitam de cuidados intensivos. A equipe é composta por:

18 médicos, 4 enfermeiros, 11 condutores socorristas, 7 técnicos de enfermagem, 4 operadores de rádio, 4 técnicos auxiliares de regulação médica (TARM) e um profissional de serviços gerais.

 

 

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**Esta reportagem faz parte de uma série. Quer entender melhor? Leia o nosso editorial sobre o Tamo junto nessa.

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