Sociedade HIERARQUIA URBANA

Em novo estudo, IBGE consolida Bagé e Uruguaiana como principais centros da Campanha e Fronteira Oeste

As cidades, no entanto, ainda não possuem influência sob arranjos populacionais necessários a ponto de serem consideradas capitais regionais.

27/06/2020 23h58 Atualizada há 3 semanas
Por: Renan Silveira

Recentemente o IBGE divulgou os resultados da pesquisa Regiões de Influência das Cidades, o REGIC, que tem como referência o ano de 2018. Neste estudo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística definiu os centros urbanos brasileiros, e delimitou as regiões por eles influênciadas.

Uma hierarquia urbana determina qual o grau de subordinação entre as cidades. Por exemplo: existem cidades pequenas, em enorme quantidade, e que são subordinadas às cidades médias, que também são muitas, mas já em menor número. Uma cidade média, por sua vez, depende de uma grande. No caso das metrópoles, elas existem em quantidades muito menores.

Imagem: Regic/IBGE (adaptado)

Segundo a classificação do IBGE, no Brasil há quatro níveis situados na hierarquia urbana, variando ainda quanto ao subnível. São eles: metrópoles (grande metrópole nacional, metrópole nacional e metrópole), capitais regionais (A, B e C), centros sub-regionais (A e B) e centros de zona (A e B).

Na região da Campanha, Bagé é que apresenta maior posição hierárquica, sendo o único centro sub-regional, e de nível A. O mesmo acontece na Fronteira Oeste, com Uruguaiana. Pode ser notado na apresentação do estudo, que uma das razões que impedem a existência de uma capital regional situada em pelo menos uma dessas regiões, é que as populações ainda dependem e mantém relações diversas com a capital do estado, Porto Alegre.

Além do mais, a região ainda possui quatro centros de zona A, que são: Santana do Livramento, São Gabriel, Alegrete e São Borja. Uma característica que também influencia na não-existência de uma capital regional, é que a população destes centros de zona depende igualmentemente da capital Porto Alegre. Há casos isolados, também, como o de São Gabriel, que mantém relações com Santa Maria - capital regional que exerce posição estratégica no centro do estado.

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Para identificar o nível hierárquico urbano, são feitas avaliações sobre como determinados equipamentos atraem populações de outras localidades. A oferta de bens e serviços é variada e distribuída entre diferentes cidades, isso faz com que indivíduos realizam constantes deslocamentos, seja para adquirirem serviços de saúde e educação, como para fazer negócios, ou utilizar um aeroporto, por exemplo.

Segundo o IBGE, alguns dos motivos pelos quais é importante conhecer as relações entre as cidades com base no fluxo de bens, serviços e gestão, é para que decisões locacionais possam ser tomadas com mais precisão. São exemplo: decidir a localização de uma universidade, de um hospital ou a localização de uma filial de empresa.

O Rio Grande do Sul, além da Metrópole Porto Alegre, possui seis capitais regionais. Quatro delas são de nível C: Lajeado, Pelotas, Santa Cruz do Sul e Santa Maria; e duas de nível B: Caxias do Sul e Passo Fundo.

Vale ressaltar que nem sempre a condição enquanto cidade-polo está ligada estritamente ao porte da cidade. Um exemplo é que a cidade de Santa Cruz do Sul possui tamanho e ofertas semelhantes a Bagé e Uruguaiana. Contudo, além da economia mais desenvolvida, ainda está situada em uma região com maior presença urbana, de cidades médias e maior densidade demográfica.

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No caso das capitais sub-regionais, o RS possui oito de nível A: Bagé, Bento Gonçalves, Erechim, Lajeado, Santa Cruz do Sul (consta em dois níveis), Santa Rosa, Santo Ângelo e Uruguaiana. E três de nível B: Carazinho, Cruz Alta e Frederico Westphalen.

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